oborrachao

Roupa Suja

Ainda noivos, eu e meu marido começamos a nos preparar para o casório, e então fomos providenciando o enxoval, compramos também nossa casa ainda na planta, e por aí foi, as providências sendo tomadas.

Casamos e ainda não tinha terminado a construção, fomos morar em casa alugada, a espera que a nossa ficasse pronta, após um tempo soubemos que a construtora estava em processo de falência e como nossa casa já estava quase pronta, faltando apenas o acabamento, resolvemos mudar assim mesmo. Por conta disso tivemos sérios problemas com nossa água, pois ela não tinha pressão suficiente para subir pra caixa, e como passávamos o dia fora trabalhando, só a noite conseguíamos enfrentar esse problema. Várias noites lavei roupa, pratos,e panelas, sentada em um banquinho, utilizando a torneira do jardim. No nosso enxoval compramos também uma lavadora de roupa, só que não podíamos utiliza-la devido a falta d’água.

A roupa pesada, tipo lençol, toalha, calça jeans, levávamos para a casa de meus pais, pra ser lavada lá. Sempre colocávamos em sacos plásticos para facilitar o transporte.

Minha avó paterna morava lá, e era uma pessoa com lapsos mentais, apesar de na maioria do tempo estar bem e coerente, algumas vezes falava sozinha, não costumava fazer nada que se pudesse dizer, fora da normalidade, e o fato que vou relatar a seguir, poderia ter acontecido com qualquer pessoa, mais foi com ela que aconteceu.

Um dia cheguei lá, na casa de meus pais, e coloquei o saco com a roupa suja dentro da cozinha perto da porta, e entrei pra falar com a turma, não me demorei nadinha, quando voltei pra colocar as roupas na máquina, qual foi minha surpresa, o saco não mais estava no lugar que eu havia colocado.

Perguntei se alguém havia visto o saco, foi então que minha avó apareceu, vindo da rua,  e eu perguntei a ela, se havia visto o saco que estava no chão da cozinha. Ela respondeu na maior inocência.

- Já coloquei no lixo, o caminhão estava passando, e eu saí gritando, chamei o homem e entreguei a ele, pra não ficar esse lixo fedendo aqui.

Então, fiquei desesperada, e falei.

-  Mais vó, não era lixo, era minha roupa suja, que trouxe pra lavar.

Ela então respondeu.

-  Eu não sabia, e começou a chorar.

Chorava ela de um lado e eu do outro. Resolvi tomar um banho frio pra esfriar a cabeça e não cometer nenhuma loucura.

Com o tempo eu consegui digerir, e ela também, entretanto, sempre nos lembraremos desse episódio trágico, que agora é motivo de risadas.

Por Betania Lima

Tribunal de Contas
CIGIP
Campo Alegre