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MODERNIDADE E RELIGIÃO

A pergunta fundamental: o pensamento da sociedade moderna precisa da religião? Do ponto de vista filosófico e científico moderno, alguns pensadores, ou melhor, uma vertente interpretativa, decretou o fim das religiões. O ser humano, com o desenvolvimento do pensamento fundado na razão e na ciência, não precisaria da religião.

Um dos expoentes desse pensamento, filósofo e fundador do positivismo, o francês Augusto Comte, na definição das leis dos três estado, delimitou a história da humanidade pela fase teológica, tendo o mito como forma de explicação dos fenômenos da natureza, sociais e humanos; posteriormente, descobriu a metafísica, tendo como base a ética racional; e, finalmente, chegou ao estágio positivo, a fase da ciência, considerada a última etapa do desenvolvimento do pensamento humano.

Categoricamente, a religião não tinha mais razão, visto que a ciência se encarregava de resolver dar respostas aos anseios da humanidade. O que não passasse pelo crivo da comprovação empírica da ciência, não teria sentido para o homem (e a mulher?) moderno. A ciência não só daria sentido às aspirações mais profundas como também disporia de soluções seguras.

Com a mesma matriz moderna, os filósofos alemães Ludwig Freuerbach e Karl Marx analisaram a religião, identificando a religião como projeção e alienação, respectivamente. As abordagens inserem-se no contexto do século XIX, período em que a sociedade européia encontrava-se em plena expansão capitalista, alavancado pela modernização econômica, e, consequentemente, enquanto que a maioria da população era colocada à margem do processo modernizante.

E onde se encontrava a religião? De forma coerente, a racionalidade moderna contrapõe-se à visão teocêntrica medieval, sociedade que colocava deus no centro e no domínio sobre o homem, rebaixando-o como sujeito da história. Ontologicamente, o homem abdica da historicidade, transferindo para esfera do sagrado o seu destino.

Frente à realidade de exclusão e marginalização social, as instituições religiosas em nada se manifestavam. Ao contrário, alimentavam o conformismo e a submissão social e religiosa, o fazia avançar a degradação humana. Por um lado, diante do aprofundamento das desigualdades sociais capitalistas e, por outro, do fortalecimento dos ideais marxistas de mobilizando da massa operária e do processo de organização revolucionária, o Papa Leão XIII escreve, em 1891, a Encíclica Rerum Novarum denunciando o liberalismo econômico e o comunismo.

Diferentemente de Comte, os hegelianos de esquerda contribuem criticamente analisando o fenômeno religioso alienante e alienador, apontando para o processo de humanização histórica do ser humano. O que significou para alguns seguidores, a decretação do fim do sentido religioso para a humanidade.

Se por um lado o capitalismo esvaziou o sentido do Deus-Amor, ideologicamente o bloco comunista negou ideologicamente a sua existência, impondo a sua exclusão do ponto de vista do Estado. Com crise dos modelos modernistas capitalista e comunista, o fenômeno religioso emergiu com toda a força em todos as sociedades.

Independentemente, os pensadores das ciências sociais, em especial das ciências da religião, devem se debruçar sobre o fenômeno, identificando o seu sentido profundo para o homem e a mulher modernos.

Nessa mesma linha de pesquisa, pode-se investigar qual o papel que a religião tem na formação da sociedade alagoana. Como entender que uma sociedade marcadamente religiosa, convive com índices altíssimos de exclusão social, a exemplo do analfabetismo e dos homicídios.

É com esse objetivo que o Centro Universitário Cesmac está apresentando mais um curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião, para possibilitar o conhecimento sobre o pensamento científico e analisar a realidade religiosa de Alagoas.

 

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