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Jorge Vieira

SÍLVIO CAMELO: ATENTO À MIGRAÇÃO DE TRAFICANTES DO RIO

O Vereador Sílvio Camelo (PV/AL) demonstrou preocupação com a notícia do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Maria Beltrame, de que traficantes estariam migrando para a região nordestina, em sessão realizada na Câmara de Vereadores de Maceió no último dia 16 de novembro. Camelo disse que, além da vinda dos criminosos, é com a prevenção do crime organizado e de outros delitos como roubo a banco e cargas, bem como possíveis sequestros.

Frente a isso, imediatamente se reuniu com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Alagoas, Omar Coelho, e com o presidente do Conselho de Segurança Pública, Paulo Brêda, no sentido de alertar as autoridades quanto ao problema da violência no Estado. Na oportunidade, o presidente da OAB/AL manifestou a louvável atitude do vereador e o compromisso da instituição com a segurança da população. E afirmou: “Na época que o traficante Fernandinho Beira Mar ficou preso em Alagoas, eu era vice-presidente da OAB, e diante de preocupação semelhante, nos reunimos com representantes da rede hoteleira e pedimos que fossem tomadas medidas para averiguar a procedência e identidade dos hóspedes”.

No mesmo período, e com a mesma preocupação, o arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz se diz perplexo com a quantidade de mortes de moradores de rua e com a violência contra homossexuais. “O que podemos fazer? Estamos perplexos com o que está acontecendo”. E lembrou: “Há tempo que falo sobre essa situação e nada mudou”, Segundo dados da igreja, somente em 2010, mais de 30 moradores de rua foram assassinados em Maceió, casos que repercutiram nacionalmente. Segundo o arcebispo, nos últimos dois anos foram mortos mais de cinquenta sem-teto. Ele lembrou ainda dos casos de homossexuais assassinados em Alagoas, dezessete somente este ano, de acordo com informações do Grupo Gay de Alagoas (GGAL). E cobrou mais uma vez das autoridades alagoanas medidas urgentes e enérgicas diante do aumento de casos dessa natureza.

Esses fatos têm chamado a atenção das autoridades religiosa e civis, como também no sentido de despertar a atenção da sociedade e de cobrar das autoridades responsáveis medidas eficazes para coibir efetivamente as ações recorrentes de violência no estado de Alagoas, e ações preventivas.

Nesse sentido, organizada pela Igreja, são realizados momentos de conscientização a exemplo das celebrações e caminhadas pela paz, como também ações efetivas para a recuperação de dependentes químicos, como a Fazenda Esperança, além de outras obras de assistência aos segmentos mais vulneráveis socialmente.

Diante disso, destaca-se a importância da sintonia entre os poderes constituídos e a sociedade. E, certamente, a população alagoana espera que as autoridades e instituições juntem-se com o objetivo de construir uma sociedade de paz, justa e fraterna.

 

 

 

DAVI, MAIS UM NA CONTABILIDADE DA VIOLÊNCIA EM ALAGOAS

Na última segunda-feira, 14 de novembro, de manhã, depois da chegada de Porto Alegre (RS), onde tinha participado do 5º Congresso Nacional de Extensão Universitária, acordei com a ligação de minha filha querendo saber a que horas eu tinha chegado, em Maceió. E, logo depois, perguntou: “Painho, lembra do Davi, aquele que dizia ser David Beckham?” e, imediatamente, disse: “ele foi assassinado”.

Quem era Davi? Sempre brincalhão, dizia ser David Beckham, o jogador famoso – certamente fazia a ligação com a semelhança do nome, mas também se projetava no sonho de ser um astro famoso. Quando o conhecemos, ele tinha uns dez anos. Quando nos encontrávamos, conversava muito, brincava, soltava piadas, falava da vida que levava, da família e do que fazia na escola. Enfim, uma criança como as outras. Com esse seu jeito, conseguia sempre fazer amizades com as pessoas que lhes dava atenção, independente da faixa etária, estava sempre rodeado de pessoas.

O tempo passou, e o Davi cresceu. Tempos depois, quando já tinha cerca de 14 anos, o encontrei pela rua e perguntei  o que estava fazendo e como estava o estudo. Ele disse que parou de estudar porque tinha “aprontado” com a professora. Falei sobre a importância do estudo, e o aconselhei para voltar à escola. Depois disso, desapareceu.

Mas sempre que encontrava alguém que o conhecia, eu perguntava por ele. E nos últimos tempos, as notícias não eram nada agradáveis. As pessoas falavam que tinha passado pela rua com um facão cortando as plantas; outras disseram que tinha sido preso acusado de furto; e outros disseram que estava envolvido com drogas.

A história de Davi se repete a cada final de semana. E os números, ora são 22, 23, 25 assassinatos... Nesse final de semana, Davi foi 19º, segundo dados da imprensa? Não se sabe! Será que foi computado?! O certo é que a alegria do Davi foi apagada no dia 13; e o sonho de ser David Beckham, foi junto. Com se vê, cotidianamente, adolescentes e jovens são assassinados em bairros da periferia ou em municípios pobres do estado de Alagoas.

A galopante violência que invade o estado tem suas raízes fincadas na desigualdade social, na desagregação familiar, no aliciamento de crianças, adolescentes e jovens pela droga, na falta de prevenção e assistência do estado na formação dos jovens, falta de oportunidade na educação e para o lazer.

Entretanto, para alguns, no caso do Davi, ainda se ouve: “é menos um bandido!”. E para esses, a solução está no fim dos direitos humanos. Mas fica a reflexão: o fim do sonho dos Davis é a expressão de uma sociedade desestruturada e que não é capaz de cuidar corretamente de seus problemas sociais.

Nessa sociedade, precisa-se entender que, para os Davis, o futuro não existe. E para aqueles que tiveram a possibilidade de estudar, ter uma casa, uma família, um emprego e lazer? Para estes, cada vez mais estão reféns da violência, vivendo por atrás das grades ou sob a ameaça de a qualquer momento ser assaltado, sequestrado ou assassinado.

Como se vê, é uma sociedade que não interessa a ninguém. E, portanto, faz-se necessário urgentemente que a população tome consciência da estrutura social, econômica e política que tem e se posicione para mudar para que sejam feitas mudanças estruturais.               

              

MEC GARANTE 70 MILHÕES PARA PROJETOS DE EXTENSÃO EM 2012

No 5º Congresso de Extensão Universitária, realizado em Porto Alegre durante os dias 8 e 11 de novembro, o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, garante a liberação de 70 milhões para investimento em projetos de extensão para o exercício 2012. Em 2008, os recursos limitavam-se a 6 milhões.

Com o tema Políticas Públicas e Extensão Universitária, além do secretário, participaram do painel o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Neto, o representante do Ministério da Saúde, José Carlos Brunelli e o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Luiz Martins, presentes também várias autoridades, a exemplo de pro - reitores de extensão e público em geral.

Apesar de em três anos o Ministério aumentou substancialmente o volume de recurso, na avaliação dos presentes, o valor destinado ainda é insuficiente para atender as demandas dos projetos de extensão, patamar que se encontra aquém dos destinados aos projetos de iniciação cientifica. E defende o secretário Luiz Cláudio: “a educação superior tem a dimensão do ensino, da pesquisa e da extensão; e, portanto, os programas devem ter uma atenção igualitária”. Considerando a dimensão do Brasil e da complexidade das necessidades, defende que a educação pública é um dever do Estado, mas não ver nenhum problema em apoiar projetos de extensão de instituições não públicas, a exemplo das Universidades comunitárias e privadas. E justifica: “Todas têm que prestar um bom serviço para a sociedade”.

Os dados do senso realizado recentemente pelo MEC demonstram que no Brasil existem 2.099 instituições privadas de ensino superior, enquanto as públicas somam somente 278. Em nível de pós-graduação, 8% são públicas e 20% são privadas. No país ainda existem mais de três mil municípios sem a presença do ensino superior. Isso demonstra a necessidade da escola melhorar e construir conjuntamente a relação academia e os serviços prestados à sociedade.

Entretanto, constata-se que a graduação não atende completamente todas as demandas da informação do novo profissional, visto que é por fora do mundo acadêmico que vida acontece. É preciso que ele tenha oportunidade de, acompanhado e supervisionado adequadamente, uma formação em áreas remotas. Visto que o egresso não pode ser somente um profissional tecnicamente competente, mas deve ser também um cidadão comprometido eticamente com uma nova sociedade.

No Brasil são 40 horas semanais que o aluno passa em sala de aula, enquanto que em Harvard é a metade desse tempo. Considerando que cada vez mais o jovem entra mais novo na Universidade, que tempo ele tem para assimilar o conhecimento?

Por isso, destaca-se a importância desse congresso de extensão, composto de palestras, painéis e cerca de 1500 trabalhos apresentados. Pela importância da extensão na formação do profissional, destaca-se a necessidade de definir um novo modelo de extensão no Projeto Político Pedagógico (PPP), identificando a característica da instituição de ensino superior, o perfil do aluno e a capacitação necessária destinada à formação do novo profissional, articulando igualitariamente o ensino, a pesquisa e extensão, dentro de uma visão sistêmica.

DIRCURSO E REALIDADE: UMA ANÁLISE PARA ALÉM DA ERA LULA

O governo do presidente Lula deixa a direita sem discurso e a esquerda obnubilada! Para os primeiros, pela trajetória do sindicalista e de seu partido de esquerda, Lula não concluiria o seu governo; enquanto que a outra parte acreditava que era a oportunidade de um partido popular ter um pr4sidente esquerda para fazer a revolução no país e, quiçá!, no mundo!

Para os opositores de plantão, leia-se PSDB e PFL (Democratas), partidos alinhados do liberalismo econômico estadunidense e inglês e defensores ferrenhos da política de mercado laissez-faire, apostaram na inviabilidade da política econômica do sindicalista. Erram! E mais, diante da liderança e popularidade de Lula, restou-lhes somente espernear.

Indiscutivelmente, o Brasil de hoje não é mais o mesmo de 500 anos atrás. Mas não é somente na estabilidade econômica, social e política, mas sobretudo em nível da auto-estima de sua população. Internamente, o povo está comendo, estudando e passeando; no exterior, o brasileiro é respeitado e admirado pelo presidente que teve.

O Brasil, que anteriormente era vista como correia de transmissão dos interesses das principais economias mundiais, passa a agente importante na formulação de políticas no cenário internacional. Na geopolítica latino-americana, o impacto foi maior, a sua política influenciou a vitória de vários presidentes originários dos movimentos sociais e com perfil de esquerda.

Enquanto as lideranças controladoras das principais economias mundiais debatem e se atropelam sem saber o que fazer diante do caos financeiro, econômico, político e social em que se encontram os seus de seus países, o Brasil opta pela continuidade política elegendo Dilam Rousseff presidenta, e mantém sua base econômica desenvolvimentista.

Aqui se encontra o dilema! A massa alimentada físico e mentalmente, colhe os frutos do bem estar social. E, em geral, é por onde ela se movimenta - respeitando as raríssimas exceções. Na mesma direção, obviamente por outros motivos, os movimentos sociais e os partidos de esquerda encontram-se satisfeitos com os resultados obtidos. Mas, por outro lado, encontra-se uma classe média formadora de opinião, moralista e conservadora socialmente, ainda silenciosa quanto à defesa de seus interesses.

Esse quadro demonstra a fragilidade política para a sustentação das conquistas até aqui adquiridas e na possibilidade de fazer avançar a construção de uma nação que tenha um nível pleno de garantias para a sua população. Pela dimensão do Brasil e suas riquezas naturais e intelectuais, é preciso projetar base de um desenvolvimento que respeite a diversidade cultural e a natureza, possibilitando a qualidade de vida holística.

A intelectualidade brasileira encontra-se adormecida e atordoada! Escuta-se ruídos truculentos e dogmatismo raivoso e tresloucado ou um conformismo inerte diante do encantamento estético de uma obra inacabada. São raríssimas as reflexões que identificam os elementos fundamentais em que se encontra a atual realidade, e menos ainda indicativos de direções sustentáveis e seguras.

Para não ser pego de surpresa por algum discurso moralista e aventura eleitoreira, esta parece ser a tarefa fundamental da intelectualidade, dos movimentos sociais, esquerdas e segmentos que acreditam nesse paraíso chamado Brasil. E que seu povo possa participar e contribuir com suas extraordinárias qualidades da construção de mundo melhor.

MODERNIDADE E RELIGIÃO

A pergunta fundamental: o pensamento da sociedade moderna precisa da religião? Do ponto de vista filosófico e científico moderno, alguns pensadores, ou melhor, uma vertente interpretativa, decretou o fim das religiões. O ser humano, com o desenvolvimento do pensamento fundado na razão e na ciência, não precisaria da religião.

Tribunal de Contas
Campo Alegre
CIGIP